Bienal vende mais de 4 milhões de livros no Rio

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Terminou no domingo (8) a 19ª edição da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Nos dez dias de evento, passaram pelo Rio Centro, na zona oeste da cidade, mais de 600 mil pessoas e foram vendidos mais de 4 milhões de livros, dos 5,5 milhões disponíveis. Na edição anterior do evento, em 2017, foram 3,6 milhões de livros vendidos e público de 680 mil pessoas.
Segundo os organizadores, a bienal é reconhecida como o maior evento literário do país e contou com mais de 300 autores do Brasil e de outros países, além de dezenas de artistas, acadêmicos, filósofos, cientistas, lideranças religiosas, movimentos sociais, ativistas e youtubers, que participaram de palestras, debates e bate-papo com o público.
A diretora-geral do evento, Tatiana Zaccaro, destaca que a média de vendas superou a edição de 2017, passando de 100% de aumento em algumas editoras. Ela atribuiu o sucesso ao ambiente cultural e de discussões de qualidade proporcionado pelo evento.
“As curadorias dos espaços foram incessantes propondo os melhores temas, buscando os melhores autores e personagens. O espaço infantil foi um sucesso, o Café Literário teve todas as sessões praticamente lotadas e a Arena #SEMFILTRO causou um alvoroço, consolidando a Bienal como o maior programa cultural e o mais diverso do país”.
Entre os temas discutidos na bienal este ano estiveram a felicidade, democracia e autoritarismo, meio ambiente, fé, empoderamento, fake news, escravidão, ciências e diversidade. As sessões foram gravadas e podem ser vistas no site.
Censura e manifestações
A 19ª edição da Bienal Internacional do Livro foi marcada pela tentativa de censura de livros de temática LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) por parte da prefeitura do Rio de Janeiro. Na quinta-feira (5) o prefeito Marcelo Crivella determinou o recolhimento da obra Os Vingadores – A Cruzada das Crianças, um quadrinho de super-heróis da editora norte-americana Marvel, em que uma cena mostra um beijo entre dois homens.
A prefeitura nega que tenha havido tentativa de censura ou homofobia e que, em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), determinou que a revista fosse lacrada em material opaco e colocada uma advertência sobre conteúdo impróprio para menores de idade. O Artigo 78 do ECA diz que “as revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo”. Fiscais da prefeitura chegaram a comparecer à bienal na sexta-feira e no sábado, mas não apreenderam nenhum material.
O prefeito aparece em vídeo determinando o recolhimento da obra e a prefeitura notificou os organizadores que apreenderia o livro que não estivesse lacrado e com a advertência. Fiscais da prefeitura chegaram a comparecer à bienal na sexta-feira e no sábado, mas não apreenderam nenhum material. Após a declaração do prefeito, a revista esgotou em 40 minutos.
Na sexta-feira os organizadores da Bienal pediram na Justiça o direito de comercializar obras literárias de qualquer temática e foram atendidos pelo desembargador da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Heleno Pereira Nunes. A prefeitura recorreu e conseguiu uma decisão no sábado (7) do presidente do tribunal, Claudio de Mello Tavares, para recolher obras que tratem de temas LGTB “de maneira desavisada” para crianças e jovens.
O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no domingo (8). Pela manhã, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu à suprema corte a suspensão da decisão judicial do TJRJ e foi atendida pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli. Também ontem, o ministro do STF Gilmar Mendes determinou a suspensão da decisão do TJRJ, atendendo a pedido de mandado de segurança dos organizadores da Bienal.
Apesar da proximidade do fim do evento, a prefeitura ainda entrou com um pedido de embargos de declaração no STF, por meio da Procuradoria-Geral do Município, pedindo a suspensão da liminar concedida por Toffoli. Diante da repercussão do caso, o presidente do TJRJ divulgou nota na noite de ontem negando que tenha compactuado com censura.
“Censura ocorreria se eu houvesse proibido a publicação ou circulação da obra em questão. Como se trata de espaço aberto ao público, o que determinei, segundo meu convencimento, foi simplesmente o alerta sobre conteúdo delicado, para que os pais pudessem decidir ou participar da decisão de aquisição da obra, voltada ao leitor infanto-juvenil, ainda em formação”, disse Tavares.
Repercussão
No último dia do evento, houve manifestação do público contra a tentativa de censura. Dezenas de pessoas marcharam pelos corredores da Bienal com livros de temática LGBT nas mãos falando “não vai ter censura”.
O youtuber Felipe Neto comprou 14 mil livros com essa temática e distribuiu para o público do evento no sábado, embalados em um plástico preto e com o dizeres “este livro é impróprio para pessoas atrasadas, retrógradas e preconceituosas”. A empresa de comércio eletrônico e-books Amazon disponibilizou mais de 20 obras com temática LGTB para download gratuito.
Na coletiva de encerramento do evento, o escritor Laurentino Gomes comemorou a decisão do STF. “Justiça, né. A gente está lutando pelo básico, pelo direito de falar, de escrever, da imaginação. O mais incrível, de preservar a memória. Não adianta, por mais que se tente alterar a nossa memória, a gente escreve de novo, a gente não vai desistir de escrever. Essa censura na Bienal deu um sopro de vida, de mobilização, de pessoa se importando com as outras, de solidariedade generosa. Foi um vento que serviu para abrir mais os livros, não tem como fechá-los”.
A escritora Thalita Rebouças se disse assustada com os acontecimentos. “A gente estava aqui quando chegaram armados e com viaturas para recolher livros e foi bem assustador. Estávamos eu, Laurentino e Pedro Bandeira e falamos que nós, autores, tínhamos que fazer alguma coisa. Não podemos nos calar agora. Eu fiquei bem assustada, em 20 anos de carreira eu nunca vi nada parecido com o que vi aqui nesses últimos dias. Está difícil”.
O presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Marcos da Veiga Pereira, afirmou que a Bienal se tornou um símbolo da resistência e da livre expressão artística. “Fico feliz em terminar esse festival consagrando o valor que a Bienal tem e com a certeza de que o livro vai prosperar. Acreditamos muito no poder de transformação do livro e, por isso, tivemos convicção do que fazer e de que atitude tomar nesses últimos dias”.
Durante a coletiva, Thalita leu um manifesto dos escritores contra a censura, que também foi divulgado nas redes sociais e pela própria Bienal do Livro.
“Se engana quem pensa que o alvo era a Bienal Internacional do Livro. O alvo somos todos nós cidadãos brasileiros, pois não precisamos ter quem determine o que podemos ler, pensar, escrever, falar ou como devemos nos relacionar. O brasileiro não precisa de tutor. Precisa de educação para que cada um possa fazer suas escolhas com consciência e liberdade”, diz trecho do manifesto.
Fonte: Agência Brasil

Adaptações de livros nos cinemas - Janeiro

domingo, 6 de janeiro de 2019


Máquinas Mortais  
Baseado na série de livros britânicos "Máquinas Mortais", de Philip Reeve, a trama se passa quase 200 anos após a civilização ser destruída por um evento cataclísmico e a humanidade precisou se adaptar a nova realidade. Os sobreviventes vivem agora em cidades gigantes em movimento, chamadas Cidades Tração, onde as grandes se impõem contra as pequenas em busca de recursos naturais. Tom Natsworthy vive na Cidade Tração de Londres e, quando Londres se envolve em um ataque, é lançado para fora da cidade. Junto com a fugitiva Hester Shaw, ele precisa lutar para sobreviver e enfrentar uma ameaça que coloca a vida no planeta em risco.
Estreia em 10 de janeiro de 2019
Livro do autor Philip Reeve (Editora Harper Colins)



 
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Se a rua Beale falasse
Baseado no célebre romance de James Baldwin, a trama é contada pela ótica de Tish, uma jovem do Harlem, de 19 anos, que vê o amor de sua vida e pai de seu filho, Fonny, ser injustamente acusado de um terrível crime e de subtextos racistas. Com o casamento em espera e o noivo na prisão, Tish e as famílias do casal lutam para limpar o nome do rapaz, a tempo de tê-lo em casa para o nascimento de seu bebê. 
Estreia em 24 de janeiro de 2019
Livro do autor James Baldwin (Editora Companhia das Letras)




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Boy Erased - Uma vida anulada
Baseado no livro homônimo de Garrard Conley. O jovem Garrard de apenas 19 anos mora numa pequena cidade conservadora do Arkansas. Ele é gay e filho de um pastor da igreja batista. Chega um momento em que ele é confrontado pela família, ou arrisca perder sua família e amigos ou entra em um programa de terapia que busca a "cura" da homossexualidade. Diante do abandono iminente da família, o rapaz topa entrar no tratamento.
Estreia em 31 de janeiro de 2019
Livro do autor Garrard Conley (Editora Intrínseca)





Doze livros para ler em 2019

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Um livro por mês, além dos outros que a vontade escolher.

1 - Os homens que não amavam as mulheres
O jornalista Mikael Blomkvist acaba de ser condenado e sentenciado a três meses de prisão por difamar um poderoso financista. Recebe então uma proposta intrigante: o grande industrial Henrik Vanger quer contratá-lo para escrever a biografia de sua conturbada família. Mas, sobretudo, Vanger quer que Mikael investigue o sumiço de sua sobrinha Harriet, desaparecida sem deixar vestígios há quase quarenta anos. Henrik também se dispõe a salvar a 'Millennium', revista capitaneada por Mikael, e que se encontra em risco de falência. De início contrariado, o jornalista acaba aceitando a tarefa.
Harriet desapareceu quando sua família se reunia para um encontro em uma ilha. Inteligente e sensível, a moça era a favorita de Henrik. Suspeitos não faltam, pois, se todas as famílias tem esqueletos no armário, o clã Vanger parece dispor de um cemitério inteiro. Em sua busca febril, Mikael recebe a ajuda de uma jovem e genial hacker, Lisbeth Salander, cuja magreza anoréxica só é comparável à fúria silenciosa que nutre contra a sociedade. Mas, como Mikael logo compreende, se alguém esconde um segredo torpe, é certo que Lisbeth irá descobri-lo. E, de fato, pouco a pouco, o jornalista e sua improvável parceira desvendam um verdadeiro circo de horrores.

2 -  Echo Park
Echo Park é o décimo segundo romance em que Michael Connelly apresenta Harry Bosch, um detetive experiente, obcecado pelos crimes que investiga. Desta vez, Harry é assombrado por um fantasma. Um fantasma que o perturba há treze anos.
Em 1993, ele investiga o desaparecimento da jovem Marie Gesto, que, após ser vista indo ao supermercado, nunca mais foi encontrada. Como vestígio, apenas seu carro com algumas de suas roupas e compras dentro. Por mais que tenha lutado para descobrir seu paradeiro, Harry não conseguiu concluir a investigação, que passou a figurar na lista da delegacia de Casos Abertos / Não Resolvidos. Agora o detetive veterano vislumbra a chance de poder, finalmente, desvendar o mistério que o martirizou por tanto tempo.Raynard Waits é um homem acusado de matar e esquartejar duas pessoas, mas existem suspeitas de que ele também tenha cometido outros nove assassinatos. Entre eles, o de Marie Gesto. Mas ele pretende propor um acordo à Justiça para escapar da pena de morte. Em troca da atenuação de sua pena, o réu mostraria onde estão os corpos das nove pessoas desaparecidas e assassinadas por ele. A partir daí, Harry Bosch terá que enfrentar inúmeros desafios, um após o outro. Precisará estar próximo do homem que talvez seja o culpado por tantos anos de agonia e dúvidas, provavelmente o inimigo mais sádico e perigoso que tenha encontrado em toda sua vida. E ainda terá que conviver com a culpa por ter ignorado uma pista que poderia ter concluído o caso ainda em 1993, evitando a série de assassinatos que se seguiu.

3 -  As ruínas
Quatro amigos americanos de férias em Cancún, Mexico - Jeff, Amy, Eric e Stacy - conhecem um turista alemão que os convence a participar de uma busca a seu irmão, Henrich, que desapareceu com a namorada depois que foi ao local visitar umas ruínas. Os jovens em breve se arrependerão de ter aceito o convite, quando perceberem que estão presos na selva e aterrorizados por sinais que indicam que eles foram levados em direção ao mal...
 
4 - Anjos das sombras
Na sombra do poder, a verdade parece mais clara. Todo o luxo da escandalosa corte de Charles II, rei da Inglaterra, não é capz de ofuscar os olhos e ouvidos da dama de honra Alice Verney, sempre atenta às fofocas e intrigas dos bastidores do governo. Ela jura que a princesa foi assassinada e que a próxima vítima será a rainha. Mas quem acredita nela? Anjos das Sombras, de Karleeen Koen, é um romance sobre o poder, a luxúria e os labirintos da corte ingles do século 17, reconstituída em detalhes por uma das maiores contadoras de histórias de nosso tempo.
 
5 - Pequim em coma
Ao mesmo tempo alegoria de uma China em transformação e uma análise seminal dos protestos estudantis da Praça da Paz Celestial que culminaram no massacre de junho de 1989, PEQUIM EM COMA é a obra-prima do escritor chinês Ma Jian. Com humor negro, fina ironia, beleza poética e uma raiva profunda, este extraordinário romance confirma o autor como um dos mais intensos escritores chineses da atualidade.
Nascido em Qingdao, China, e, atualmente morando na Inglaterra, Ma Jian chegou a participar, na primavera de 1989, do movimento que reuniu milhares de estudantes chineses na Praça da Paz Celestial, no centro de Pequim. Massacrados pelo Exército ao exigir que o regime comunista promovesse reformas democráticas, os estudantes marcaram para sempre não apenas a história de seu país e do mundo, como a imaginação de Ma Jian. 
Em PEQUIM EM COMA, seu épico sobre o massacre, o autor conta a história de Dai Wei, um dos estudantes envolvidos nas manifestações. Há quase uma década em coma profundo, após ser atingido pela bala de um dos soldados, seu corpo é sua prisão. Mas as lembranças permitem a fuga. Acompanhamos quando ele se apaixona, larga a escola, chega à universidade, reflete sobre as mudanças, sobre o passado traumático dos pais durante a Revolução Cultural e sobre o presente. 
Em coma, Dai Wei não pode enxergar ou se mover, mas ouve tudo o que acontece no mundo ao seu redor: o esforço da mãe para mantê-lo com vida; a ação do governo para suprimir toda a memória do Massacre da Praça da Paz Celestial; o envolvimento de seus amigos com o capitalismo frenético da China. Conforme o relato minuto-a-minuto dos acontecimentos que culminam no tiro se torna mais intenso, o leitor se vê hipnotizado por uma fascinante jornada emocional, onde os limites entre vida e a morte se tornam cada vez mais nebulosos.

6 - Os Maias
Nessa saga familiar, os personagens vivem as aspirações, conflitos e paixões que refletem as forças transformadoras da sociedade em Portugal e no mundo então. 
As intrigas e os acontecimentos que cercam o velho Afonso da Maia, seu neto Carlos Eduardo - que vive um amor impossível com Maria Eduarda -, João da Ega, o conde de Gouvarinho e outras figuras tornaram-se verdadeiros símbolos de uma nação que debatia seu próprio destino e fracassava em construí-lo. 
A ironia, o sentimentalismo e a crítica mordaz são alguns dos componentes fundamentais da grandiosidade literária de Eça de Queirós, que se completa na criação de seus personagens e na construção novelística, na descrição comovente e dramática da vida e da sociedade de seu tempo.
Obra máxima de Eça de Queirós, marco da literatura portuguesa, Os Maias envolve o leitor na irresistível atmosfera da Lisboa de fins do século XIX. Tendo como protagonistas Afonso, Pedro e Carlos Eduardo da Maia, e apresentando outros personagens memoráveis, como João da Ega, Dâmaso Salcede, Maria Eduarda e o casal Gouvarinho, narra a trajetória de uma família, a história de um amor impossível e os rumos de um país. Eça dá vida a um refinado jogo social e compõe um panorama da cultura e dos problemas sociais e políticos do seu tempo, numa prosa limpa, cortante e inigualável.
 
7 - A sangue frio
Um homem religioso, uma mãe depressiva, um adolescente, uma garota dona de casa, um cachorro amedrontado e dois ladrões frustrados. Esses e outros personagens são os ingredientes chave para o romance jornalístico A sangue frio, de Truman Capote. O livro é uma reportagem investigativa sobre o assassinato de quatro membros da família Clutter, o casal e seus dois filhos caçulas, ocorrido em 1959 na cidade de Holcomb, no Kansas, Estados Unidos.
 
9 - Pássaros feridos
No panorama da ficção contemporânea, ´Pássaros Feridos´ tem, sem dúvida, um lugar de honra. Trata-se de um romance denso, épico, pungente e literariamente bem estruturado. Seus personagens, sofridos e marcantes, se integram num cenário rude e fascinante: as vastas extensões dos campos australianos, povoados de carneiros e rarefeitos de homens, que forçam seus minguados habitantes a uma existência isolada, pioneira, quase primitiva, na qual os caracteres se modelam muito à semelhança desse ambiente.
10 - Conversando com Mrs. Dalloway
Celia Blue Johnson apresenta nesse maravilhoso livro as histórias por trás de 50 clássicos. O que inspirou e fez cada uma ganhar corpo e tornar-se um sucesso da literatura. Autores como J.R.R. Tolkien, Gabriel García Márquez e Lewis Carroll tiveram inspiração em frases aleatórias, lugares ou fatos corriqueiros para compor verdadeiras obras-primas. Os clássicos da literatura universal tratam não só da crítica e pensamento da época em que foram escritos, mas da universalidade dos sentimentos humanos no decorrer do tempo, tornando-os imortais. Conhecer mais do processo criativo dos grandes escritores nos aproxima tanto dessas histórias como de nossas próprias vidas.
11 - Spotlight: Segredos revelados
"Ganhador do Prêmio Pulitzer, este livro conta a história real de um grupo de corajosos jornalistas que denunciaram uma sucessão de abusos de crianças, obrigando a Igreja Católica a prestar contas. Em janeiro de 2002, o jornal The Boston Globe publicou uma série de reportagens que chocou o mundo. Centenas de crianças em Boston sofreram abuso sexual por parte de padres certos de sua impunidade, eles agiam com o aval das autoridades religiosas, que acobertaram seus crimes por décadas. As reportagens revelaram a obscena quantia gasta pela Igreja Católica com subornos para comprar o silêncio das vítimas cujas vidas foram devastadas por pedófilos que, vestidos com o hábito, tinham o Pai Nosso na ponta da língua. A denúncia abalou as estruturas da Igreja Católica e deixou milhões de fiéis no mundo inteiro estarrecidos, furiosos e indignados: a instituição, em vez de servir e proteger a comunidade, usou sua poderosa influência para se resguardar do escândalo. Este relato, que inspirou o filme Spotlight, indicado ao Oscar em 6 categorias, é uma exposição violenta e importante do abuso de poder por uma das mais altas esferas da sociedade. The Boston Globe foi o único jornal que teve a persistência e a coragem de enfrentar essa história, forçando a arquidiocese de Boston a quebrar o sigilo de documentos internos, que escancararam, finalmente, as proporções do escândalo. Peggy Noonan, The Wall Street Journal".

12 - Novelas exemplares
Antes da publicação da segunda parte de Dom Quixote, em 1613, Cervantes lança uma outra aventura: Novelas exemplares. Como gênero literário, a novela já existia, mas, como nota o próprio Cervantes, ele é o primeiro a tentá-la na Espanha. Ele experimenta o gênero em todas as direções possíveis, com relatos bizantinos, cortesãos ou picarescos. E mais: busca estabelecer um padrão realista, fala do cotidiano das pessoas, de uma Espanha que podia ser vista da janela de casa. É interessante notar como ele, filho de uma sociedade machista, sabe das dores femininas e pinta mulheres inteligentes e espirituosas, quando outros as queriam apenas lindas e submissas. É exemplar como Cervantes, homem de temperamento satírico, conseguiu despistar a censura, deixando transparecer entre exaltações aos reis e à Igreja, seu país violento e sensual, trapaceiro e cobiçoso, em que o estupro, por exemplo, é aceito com naturalidade, e um casamento é o único sinal de respeito que se tem pelas mulheres. A edição traz aparatos críticos de estudiosos do autor, notas, poemas em sua versão original e ilustrações.
 

Livros de Paulo Coelho, Dan Brown e Nietzsche são confiscados na Líbia

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

 
Um grupo de escritores e intelectuais líbios denunciaram hoje (23) que as autoridades do país apreenderam dezenas de livros considerados “eróticos” ou contra o Islã, na cidade de Al Marj, no leste da Líbia. As informações são da Agência Ansa.

Entre as obras confiscadas, em árabe e importados do Egito, estão títulos do brasileiro Paulo Coelho, do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, do romancista norte-americano Dan Brown e do egípcio Naguib Mahfuz, prêmio Nobel de Literatura.

Durante o fim de semana, circularam vídeos com dezenas de livros sendo colocados em um caminhão. Autoridades religiosas e de segurança alegaram que os volumes também promovem a difusão do xiismo, cristianismo e bruxaria, e denunciaram uma “invasão cultural” no país.

Após o acontecido, os escritores, entre eles Azza Maghur, Idriss Al Tayeb e Radhuan Bushwisha, denunciaram a apreensão de livros e afirmaram que a atitude é “uma tentativa de amordaçar as vozes e confiscar a liberdade de opinião e de pensamento”.

Em sua conta no Twitter, Paulo Coelho afirmou ter entrado em contato com a embaixada do Brasil na Líbia. “Não há muito que eles possam fazer, mas não posso ficar sentado vendo meus livros serem queimados”, escreveu.

Fonte: Agência Brasil

Onde deixarei meu coração - Sarra Manning

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Título: Onde deixarei meu coração
Autora: Sarra Manning
Editora: Galera
Páginas: 334
 
Simples, careta e sem graça. É assim que Bea se vê. Então quando a super descolada Ruby e seu bando de populares passam a se interessar por sua opinião, isso só pode ser uma pegadinha. Certo? Pelo menos é assim que sempre acontece nos filmes... Mas o convite para passarem as férias em Málaga parece pra valer. E com um bônus: Bea pode se afastar da mãe irritante e controladora.

No entanto, depois de apenas 48 horas na Espanha, Bea se flagra mudando o itinerário. A menina decide visitar Paris para encontrar o pai que nunca conheceu. Afinal, a cidade luz pode emprestar um pouco de clareza a um período nebuloso de sua vida familiar. No caminho, ela conhece Toph, um estudante americano mochilando pela Europa.

Enquanto procuram pelo pai dela nos cafés e boulevards de Paris, ela perde a cabeça em vez disso. Será que Bea é a garota de Toph ou a boa menina que sua mãe espera que ela seja? Ou será esse o verão mágico em que Bea finalmente torna-se dona do próprio nariz?

Um livro adolescente, mas que fala sobre temas interessantes e que mostra o crescimento e amadurecimento da personagem, em uma época da vida que as pessoas costumam prezar muito por aceitação e opinião alheia. É possível se identificar com algumas coisas que acontecem na vida de Bea, porque pelo menos alguma coisa já passamos ou vimos alguém passar.

Bea sempre foi uma adolescente "certinha", do tipo que sempre vai a escola, pilates com a avó e sai para passear com os irmãos gêmeos, pelo fato de ter uma mãe controladora que não a deixa fazer nada.

Sem nunca ter sido notada ou ter destaque entre os grupos da escola, um dia ela ganha uma oportunidade no grupo das populares, que a chamam para andar com elas. De princípio ela não quer muito, mas acaba indo e se encantando por ter tido essa "chance" de ser reconhecida por alguém, ainda mais por serem as meninas de que todos queriam ser amigos.

Necessitando da aprovação do grupo e com ajuda da avó, ela convence a mãe a deixar-lá sair com as novas amigas todos os sábados a noite. Depois de algum tempo, ela também é convidada para passar férias em Málaga com essas meninas.

Chegando em Málaga, tudo começa a mudar. Bea, que era sempre bem tratada pelo grupo, passa a ser deixada de lado e descobre que tudo, desde o convite a entrar para o grupo, não passava de um plano. Por ela ser certinha, as meninas a chamaram por ser mais fácil convencer suas mães a deixarem que elas viajassem sozinhas se Bea estivesse junto.

Depois de vários acontecimentos e humilhações, ela decide ir embora de Málaga e ir para Paris, onde mora seu pai, que ela nunca conheceu. A viagem dá errado, ela se perde e começa uma nova aventura na vida de Bea, que precisa se virar sozinha pela primeira na vida e escolher se volta para casa, onde será repreendida pela mãe, ou tentar ir a Paris, mesmo sem saber nada sobre o pai nem falar fluentemente o idioma.

O livro conta toda a trajetória de Bea, que no começo é uma pessoa que tem medo de expor sua opinião e por sempre ter vivido uma vida mais privada, começa a fazer algumas coisas idiotas quando enfim alguém começa a dar importância para ela, sempre querendo aprovação do grupo e não se impondo por ter medo de desagradar.

Da mesma forma, pela mãe nunca ter dado liberdade, ela tem medo de pedir as coisas e tem auto estima baixa, apesar de se sentir um pouco "sem graça", aceita as condições e imposições da mãe, que dá pitaco em tudo que a menina faz e sufoca a coitada com exceso de proteção.

O ponto de virada começa quando ela é humilhada na viagem. Cansada de aguentar vários desaforos, Bea decide dar um basta na situação e decide se mostrar, parar de sofrer tudo calada e falar tudo o que estava “entalado”.

Depois do episódio, ela se vê sozinha pela primeira vez na vida em um país diferente e é forçada a tomar decisões sobre sua vida que até então nunca havia precisado.

É muito interessante acompanhar o crescimento da personagem e o desenvolvimento de sua personalidade, que passa de alguém que vive a sombra dos outros, sem opinião própria, para uma pessoa capaz de cuidar da própria vida e qu e se impõe diante das situações. Apesar de ainda ter algumas atitudes infantis e egoístas, Bea amadurece muito durante o desenvolvimento da história.

Durante a viagem pela Europa e Paris, ela faz novos amigos, conhece um garoto, Toph, que embarca com ela nessa viagem de conhecimento e é muito bacana ver como o personagem também ajuda no crescimento de Bea. Obviamente rola um romance, mas o foco durante a maior parte do livro é na amizade e companheirismo dos personagens.

Acontecem várias coisas que não cabem contar porque seriam spoilers, mas o livro trata bastante sobre relacionamentos pessoais, não só amorosos, mas relacionamento com outras pessoas, amigos e família, sobre construção de personalidade, amadurecimento e sobre o processo de desconstrução da da imagem que as pessoas têm da gente e o que de fato somos ou queremos ser.

Sobre relacionamento familiar, temos o confronto entre Bea e a mãe, que sempre teve a menina em rédeas curtas e precisa aceitar esse novo lado, onde sem autorização ela decide ir em busca do pai, que sempre foi assunto proibido em casa. Nessa jornada, ela não descobre apenas fatos sobre pai, mas sobre sua mãe e o motivo do pai nunca ter vindo a tona.

A narração é feita em primeira pessoa, o que é um ponto positivo nesse livro porque podemos e acompanhar todas as fases da Bea conforme o que ela está sentindo no momento. A narração é bastante fluída e, apesar de ter quase 400 páginas, dá pra ler super rápido. Além disso, temos uma viagem por alguns pontos de Paris junto com ela, e conhecer um pouco de outros lugares sempre é um ponto positivo.

É um livro com uma trama adolescente, então tem algumas intrigas e algumas coisas mais fúteis. O ponto negativo fica por conta de algumas partes, principalmente quando ela está se relacionando com novas amigas, onde acontecem algumas coisas que deixa o livro um pouco parado.

Porém, apesar de adolescente, tem uma história bacana e acredito que pode ser lido por todas as faixas etárias e todos que interessem pelo tema.

Adaptações de livros nos cinemas - janeiro 2017

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Mais um mês com algumas estreias cinematográficas baseadas em livros. Em janeiro, são quatro filmes adaptados ou inspirados em livros. Confira:

Sete minutos depois da meia-noite
Conor é um garoto de 13 anos de idade, com muitos problemas na vida. Seu pai é muito ausente, a mãe sofre um câncer em fase terminal, a avó é uma megera e ele é maltratado na escola pelos colegas.
No entanto, todas as noites Conor tem o mesmo sonho, com uma gigantesca árvore que decide contar histórias para ele em troca de escutar as histórias do garoto.
Embora as conversas com a árvore tenham consequências negativas na vida real, elas ajudam Conor a escapar das dificuldades através do mundo da fantasia.
Estreia em 5 de janeiro
Editora do livro: Novo Conceito 


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Eu Fico Loko
Baseado nas histórias contadas pelo youtuber Christian Figueiredo em seu livro, que leva o mesmo nome de seu canal no Youtube: Eu fico loko.
Christian é um adolescente pouco popular na escola, que também não tem vida fácil em casa. Enquanto sofre bullying dos colegas e busca a própria identidade, ele se preocupa com o primeiro beijo, a primeira noite com uma garota...
Christian também é um cinéfilo que grava paródias de filmes para colocar na internet. Aos poucos, ele decide usar suas redes sociais para contar as suas histórias de vida. 
Estreia em 12 de janeiro
Editora do livro: Novo Conceito

 
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A longa caminhada de Billy Lynn
Baseado no livro de mesmo nome, o filme conta a história de Billy Lynn, um jovem soldado de 19 anos que consegue sobreviver, junto de seus colegas de exército, a um tiroteio no Iraque em 2005.
Para recompensá-los, o presidente George W. Bush leva toda a tropa de volta aos Estados Unidos, a tempo de receber uma homenagem no intervalo de um jogo de futebol americano, na época do Dia de Ação de Graças. 
Logo após a festa, no entanto, Billy e os outros militares são enviados de volta ao Iraque.
Estreia em 19 de janeiro
Editora do livro: Intrínseca

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Quatro vidas de um cachorro
Um cachorro morre, reencarna várias vezes na Terra e imagina que haja uma razão para seu retorno, um propósito a cumprir, e que enquanto não o alcançar, continuará renascendo.
Embora encontre novas pessoas e viva muitas aventuras, ele mantém o sonho de reencontrar o seu primeiro dono, que sempre foi o seu maior amigo.
Estreia em 26 de janeiro
Editora do livro: Harper Collins Brasil